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domingo, 1 de janeiro de 2012

2012: o ano da luz


Alguns temas que gostaria de usar no blog para inaugurar 2012:

  • A educação na discussão de ideias dissonantes na internet
  • A compaixão, maior que qualquer futilidade
  • A simplicidade, que é a completude da vida
  • A gentileza que, segundo o profeta, só faz gerar gentileza
  • A possibilidade de opinar sem ser enquadrado em estereótipos
  • A serenidade de crer quando a descrença vira cinismo
  • A busca pelo conhecimento, mesmo que ele leve sempre a uma busca ainda maior
Que em 2012 a luz se dissemine e dê a sensação a todos de que o velho mundo, de fato, acabou.
Volto depois do dia 10!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

E lá se foi o maior humorista do Brasil...


                                                
por Arthur Miranda

O que dizer de alguém que tendo nascido no Acre e passado grande parte de sua vida na cidade do Rio de Janeiro, era um paulistano de corpo e alma, que além de um enorme talento, ainda foi sempre um excelente colega, grande amigo e um patrão maravilhoso?
Zé era como um irmão, não só para mim, mas para todos os que desfrutaram de sua intimidade.
Jamais encontrei alguém em minha vida que não falasse com muito carinho, do seu enorme talento, do seu profissionalismo, e do seu coleguismo.
Foi ele, mais o Oscarito, Ronald Golias e o Palhaço Piolim, que inspiraram minha vocação artística, e a vontade de fazer humor.
Zé Vasconcelos foi meu patrão em 1970, na comédia de Péricles do Amaral, que ele montou no Teatro das Nações, em São Paulo, com ele e com essa mesma peça viajamos para encená-la, no Teatro Leopoldina em Porto Alegre, em Campinas, em Vitória, no Espírito Santo, e no Teatro Serrador no Rio de Janeiro.
Meu colega de trabalho, no programa Aperte o Cinto, da TV Manchete, em 1986, onde, por mais de um ano, além de estarmos juntos no programa, ainda viajamos lado a lado de São Paulo para o Rio de Janeiro de carro pela Dutra para gravarmos o programa, hospedados que ficávamos no Hotel Novo Mundo bem ao lado da citada Emissora.
Como é maravilhoso ter um amigo e um colega assim. Se não tivesse nenhum significado a minha participação na vida artística, o fato de ter desfrutado da amizade do querido Zé Vasconcelos, já teria valido a pena.
Saber que alguém como o Zé nos deixou é muito triste, pois com ele se vai um pouco da minha história, uma boa parte da minha vida. É como se eu tivesse perdido um Pai, um irmão (mesmo sabendo que nada disso esta perdido). Fica no ar uma saudade, em nosso peito uma enorme tristeza.
Afinal não é qualquer artista nesse nosso imenso Brasil que pode dizer, modéstia à parte: "Eu sou o espetáculo!"

Cará Pinhé - Este ano procurei Arthur Miranda para me falar dos tempos em que frequentou o Circo Piolin e acabei conhecendo uma pessoa instigante e repleta de boas histórias. Me contou que havia trabalhado com o Zé Vasconcelos, tanto que, ao me deparar com a notícia da morte do humorista nesta semana, a primeira coisa que me veio à mente foi justamente o Arthur. Assim, reproduzo no blog a sua homenagem ao humorista. 

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Já falei cem vezes!

Esta é a centésima postagem do blog criado em fevereiro deste ano. Ou seja, falei com vocês 99 outras vezes, sempre contando algo dos universos da viola e do circo, me estendendo algumas vezes às tradicionais festas populares. Tem sido um prazer imenso postar quase que diariamente sobre temas que me interessam muito, além de, muitas vezes, dividir todo o conhecimento que me surpreende enquanto conduzo minhas pesquisas acadêmicas e pessoais. Felizmente tenho tido diversas surpresas boas nesse processo de pesquisa, às quais tenho partilhado, quase sempre, com os leitores do blog. Surpreende-me, por exemplo, que o post mais visitado tenha sido o do conto "Eu escuto a cor dos passarinhos", com 147 visualizações (!!!), o que renova minha esperança com a literatura. O escrevi a convite e ele conta um encontro imaginário entre o poeta pantaneiro Manoel de Barros e a violeira Helena Meireles. Aliás, ele ultrapassa em quase trinta visualizações (total de 118) o segundo colocado, que tem por personagem principal, o ator do momento: "Domingos Montagner: o palhaço que virou cangaceiro..." Também preciso ressaltar que a visitação a este espaço de discussão e partilhamento de conhecimento aumentou bastante desde o post número 1. Creio que faz parte dessa iniciativa conquistar audiência, muito porque não há motivação comercial alguma nela e sim uma vontade imensa de partilhar conhecimento, fomentar discussões e, de alguma forma, contribuir para a formação do que o físico Peter Russel chamou de "Cérebro Global" e o jesuíta Teilhard de Chardin de "noosfera". A maior parte dos comentários que consegui com essas discussões sempre foram feitos sob a intenção de fomentar o debate, construir e multifacetar as questões. Tento ver a internet com olhos novos, não como uma extensão das práticas tradicionais de comunicação, muitas delas desgastadas pelos vícios gerados em suas relações com os poderes constituídos. Me reservo ao direito, enfim, de praticar aquilo que uma velhinha que viveu no interior de Goiás disse e que tornei a epígrafe do blog: "transferir o que sei e aprender com o que ensino". Embora tenha me dedicado à pesquisa e a passar às outras pessoas a minha experiência em comunicação, sinto que o meu papel é, como o do caipira e do circense, ser uma fronteira móvel entre uma instância e outra, entre o saber e o fazer, entre o aprender e o ensinar. E, enfim, buscar aquilo que é simples, pois é o que realmente vale na vida! De mais a mais, ante o esconjuro das sombras, continuo a brincar de Cará Pinhé!
(A imagem da brincadeira que aprendi com meu avô é do filme Ao relento, de Julia Zakia, que trata de uma comunidade cigana no sertão de Alagoas, e está no blog filmeaorelento.blogspot.com)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

O que aconteceu com o "coisa ruim"?

Num artigo para a revista Planeta de maio de 1974, Oswaldo Xidieh, sociólogo e pesquisador da cultura popular descreve o coisa ruim quando este desembarcou no Brasil em 1500:

"Com seus chifres, seu rabo, sua corcova, seus pés de bicho, suas asas de morcego, sua cor, seu fedor de enxofre, sua morrinha de cão, seu bodum de nego fulastra, seu pitiú de maloqueiro, sua cantiga de estoraque. Com aquela capa preta, mal escondendo um sexo impossível e aquele forcado de três pontas com que azucrina as almas danadas. Voa pesadamente e, ao caminhar, saltita ou espicha os passos como o urubú. Garras em lugar de unhas, couro em lugar de pele, duras ferpas de porco em lugar de cabelo. Hipócrita, mentiroso, traiçoeiro, labioso, corrupto, maligno, trapaceiro, mestre de todos os vícios, sabedor de tesouros enterrados e de mil disfarces para enganar até os santos. Gosta de fandangos e toca viola. Apossa-se dos vivos e, às vezes, de certos animais de sua preferência como os porcos e os cães pretos. Adora os lugares baldios, as casas abandonadas, as grotas, as estradas de pouco trânsito e os lugares sagrados que foram profanados. Companheiro constante dos bêbados, das prostitutas, dos ladrões, faz ponto, quando em atividade, nos botequins, nos bordéis e nas cadeias ou, então, ronda pelos lugares onde se cometem crimes e se executaram criminosos e feiticeiros. Tudo isso para uma coisa que hoje nos parece inglória: perder o homem . . ."

Mas, assim como tudo que foi importado culturalmente do colonizador, aqui o próprio diabo foi sendo domesticado, adaptando-se a crenças outras que não as cristãs, sempre perdendo seu poder maligno. A chegada dos negros, que trouxeram seus orixás, deu novo trabalho à Igreja, que reconheceu o tar no Exu que, para os negros, pode agir tanto para o bem quanto para o mal. No cordel, então, ele passou a ser o eterno jogador em pelejas que sempre sai perdedor, seja para Lampião ou para Bin Laden... Xidieh aponta o golpe final: o espiritismo, que traz a possibilidade de "evolução" do cão, a ponto dele expiar suas culpas e pecados e ser encaminhado a Deus pelos bons espíritos. Mas não acaba aí o calvário do diabo:

"Alguma coisa nova está para lhe acontecer.  Temos constatado, esporadicamente, numa ou noutra tenda de umbanda, a presença de imagens de deuses japoneses. Colocam-se nos pejis ou em mesinhas ao lado. Não se sabe bem o que fazer com eles, mas vão sendo aceitos. E, como não poderia deixar de acontecer, nos recantos dedicados aos Exus vão se insinuando aquelas máscaras chifrudas de entidades que, conforme as crenças orientais, representam seres protetores e destruidores dos malefícios. Do diabo nosso eles têm apenas a cara feia e os pontudos chifres. Esperemos."

Lembremos de uma fita de 1997 com Al Pacino, O advogado do diabo, onde o cramunhão surge encarnado num dono de escritório advogatício, a comprar a alma de um jovem e promissor causídico... No final, desfeita a trama - que deve sempre acabar bem, recomenda os donos das bilheterias - o coiso ressurge, agora como jornalista, ameaçando e prometendo uma continuação que, felizmente, não conteceu... Talvez o danado esteja migrando do mundo intangível para o tangível, onde a maldade encontra mecanismos legais e de divulgação próprios e mais efetivos para fazer "perder o homem"...

sábado, 28 de maio de 2011

Os temas do blog no piano de André Mehmari

André Mehmari, o pianista virtuose, é impressionante. O vi certa noite num encontro com os alunos da escola de música do Ricardo Breim, na Vila Madalena. Me impressionou quando disse que estava doando seu ouvido absoluto a quem se interessasse, pois estava cansado de conviver com tanta música ruim invadindo sua consciência musical. Tem habilidade infinita no instrumento, memória musical absurda, e gravou um disco maravilhoso com  a Ná Ozetti, o que lhe abriu portas a uma legião de fãs não só de música instrumental, mas de um músico que o país não via há tempos. Encontrei, por acaso, uma interpretação sua em que une nada menos que a Tristezas do Jeca, do Angelino de Oliveira, hino da música caipira, e Palhaço, de Egberto Gismonti que, embora não seja música de circo, é das mais completas homenagens ao ícone maior do circo. Impressionate - de novo, o mesmo adjetivo! - como é possível ouvir o Jeca se metamorfoseando no palhaço! Para ouvir relaxado, no final de semana. Bem que poderia ser a trilha sonora do blog!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

De onde veio o nome deste blog?

Cará, cará, cará... pinhé! Não sei a origem da brincadeira. Para mim é o meu avô, Tibite. Rodeado pelos netos, estendia a mão com a palma voltada para baixo e pedia que cada um pegasse as costas da mão com os dedos em pinça (polegar e indicador), um em cima do outro. Logo, havia um cará pinhé de vários andares, com as crianças ocupando as duas mãos e rindo bastante. Pronto, ia começar. Balançando devagar para cima e para baixo, todos repetiam o "Cará, cará, cará..." Quando a maioria pensava que ia romper o "Pinhé!!!", meu avô prolongava a brincadeira, repetindo mais umas quatro ou cinco vezes o "Cará, cará, cará..." Até que, sob os risos da maioria, ele soltava: "Pinhé!!!" E todos soltavam as pinças e voltavam as palmas para cima, no desfecho triunfal. Claro que, com o tempo e a idade maior das crianças, havia sempre aquela - sim era sempre uma menina - que, no movimento de pinça, acabava beliscando as costas das mãos do companheiro de baixo, só para testar até quando ele aguentaria a maldade, se antes ou depois do "Pinhé!"
Descubro, anos depois, que Carapinhé se trata de um gavião, também conhecido por Carrapateiro, o que faz a minha imaginação levar a origem da brincadeira à cultura indígena, pois é claro que os dedos em pinça imitam a caça da ave, e o espalmar final das mãos, o vôo com sua longas asas. Obviamente, escolhi o nome pelo seu significado de brincadeira popular e não pelo da ave caçadora. Ou, para ser bem sincero, pela alegria de ter brincado de Cará Pinhé com meu vô Tibite, com meu pai, primos e irmãs, com a minha filha, meu enteado, e de ter ensinado isso a muitas outras crianças. Afinal, existe herança mais rica?

segunda-feira, 28 de março de 2011

Vereadores no Centro de Memória do Circo

Neste domingo, 27, dia do Circo - em função do nascimento de Abelardo Pinto Piolin - o Centro de Memória do Circo recebeu a visita dos vereadores de São Paulo, marcando o ponto final da 3a. Caminhada pelo Centro de São Paulo. Foram recepcionados pela coordenadora do espaço, Verônica Tamaoki, e por dois palhaços - o excêntrico Bacalhau e o clown Piroleta - com suas respectivas dançarinas de pano. Detalhe: elas foram confeccionadas há pelo menos quatro décadas com base nos quadros de Di Cavalcanti! Após breve discurso do presidente da Câmara, vereador José Police Neto, o grupo de 200 pessoas se dispersou, enquanto os palhaços continuaram bailando suavemente e apaixonadamente com suas partners... As fotos são de Elaides Basílio Andrelino, que não quis dançar comigo...




sábado, 26 de março de 2011

Lula Côrtes segue a Trilha de Sumé

Descobri Lula Côrtes há uns três anos, no máximo, e me encantei com os mantras desfiados no LP Sattwa (1972), que gravou com Laílson, com destaque à hipnótica Valsa dos cogumelos. Depois, me encantei com o LP Paêbiru - O caminho da montanha do sol (1975), onde a voz de Zé Ramalho desenha tortuosamente a Trilha de Sumé, que parte da Pedra do Ingá, na Paraíba, em direção ao Grande Mistério, para lá do Oceano Pacífico... Musicalmente, Côrtes foi o primeiro a enredar a músida popular nordestina com as gradações espirituais da música oriental e com as guitarras, algo que se tornou quase regra dali para a frente, vide o próprio Ramalho, Alceu Valença, Geraldo Azevedo. Aliás, não é à toa que todos eles estão em Paêbiru... O disco, de tão raro, chegou a ser vendido a R$ 5 mil nos sebos nacionais.
Pois Lula Côrtes agora deixa o mundo para seguir definitivamente a Trilha de Sumé... Deixa uma obra imprescindível, que, pelo psicodelismo promove a mistura musical e cultural (popular, erudito e massivo), com resultado agradável e inesquecível. Para entender melhor a proposta do grupo liderado por ele, veja o trailer do filme Paêbiru - Nas paredes da pedra encantada, documentário de Cristiano Bastos e Leonardo Bonfim.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Intervalo de pesar: Moacyr Scliar

Um intervalo nos temas deste blog para registrar e lamentar - além, é claro, de exaltar o escritor - a morte de Moacyr Scliar. Autor de obras singulares e interessantes, como A mulher que escreveu a Bíblia, a partir de uma conclusão bem particular de Harold Bloom, de que a Bíblia poderia, de fato, ter sido escrita por uma mulher, por mais paradoxal que isso possa parecer (depois de ler o romance de Scliar você até torce para que tenha sido verdade, sem falar de que se trata de um dos romances mais feministas da literatura brasileira); e  A majestade do Xingu, sobre dois personagens judeus, cada qual com sua trajetória paralela, um comerciante do Bom Retiro e outro indigenista que fez história. O conheci há muito tempo, num evento da extinta Bienal Nestlé de Literatura (depois virou Prêmio Nestlé de Literaura Brasileira) em que era membro do juri que escolheria, na época, o melhor autor estreante. Disse que gostava de escrever seus textos à mão e à lápis, sentindo a textura do papel. Como isso foi no final da década de 1980, é bem provável que tal opinião não tenha perdurado na era do computador. Prolífico e bom ficcionista, uma perda grande para essa nossa literatura em estágio anoréxico...