Sérgio Augusto aponta, em seu livro Este mundo é um pandeiro: a chanchada de Getúlio a JK (Companhia das Letras, São Paulo, 1993): "Nhô Anastácio foi um precursor dos tipos celebrizados por Genésio Arruda, na virada do mudo para o sonoro, e por Mazzaropi, na virada de 50. Em seu tour pelos principais pontos turísticos do Rio, o primeiro jeca a fazer graça nas telas nacionais conhecia uma cantora e com ela flertava até o momento em que sua mulher chegava da roça para impor o único final feliz admitido pela moral e pelos bons costumes então vigentes." O autor considera-a uma precursora do gênero chanchada, que encontraria sua referência máxima no carnaval e não no caipira, ainda na primeira década do século 20. O pesquisador José Ramos Tinhorão, em Música popular: Teatro & Cinema (Vozes, Rio de Janeiro, 1972), defende que o tema da fita foi tirado do grande contingente que chegava do interior ao Rio de Janeiro em 1908 para visitar a Exposição do I Centenário da Abertura dos Portos. "Tanto isso é verdade que o segundo filme documentadamente cantante, Sô Lotero e Siá Ofrásia com seus produtos na esposição, seria filmado (...) no próprio ambiente da Esposição do Centenário, ainda em 1908, o que demonstra a intenção de um aproveitamento máximo da cor local." O principal é que a fita se baseia na estrutura do teatro cômico (em especial a revista), como aponta o pesquisador de cinema Rudolf Piper (Filmusical brasileiro e chanchada. Global, São Paulo, 1977): o trapalhão, o turismo, o namoro, a música, a confusão e o final feliz.
Um comentário:
O enredo deste filme é quase um plágio da peça do Artur Azevedo, "A capital federal", que é de 1897. Lá tb tem caipira do Rio, cantora devorador de homens e o retorno ao interior.
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