segunda-feira, 11 de julho de 2011

1972: o ano em que o MASP abrigou o circo

Quando a Semana de Arte Moderna de 1922 completou cinquenta anos em 1972, o diretor do Museu de Arte de São Paulo, Pietro Maria Bardi (foto), teve uma ideia inusitada: montar o circo de Piolin no vão livre do museu para uma grande homenagem aos intelectuais modernistas. Naquela altura, Piolin vivo, era a testemunha do empenho de escritores, músicos, artistas plásticos e críticos em criar uma cultura sem influências européias, usando somente referências brasileiras. Ele próprio, Piolin, havia sido apontado pela maioria dos intelectuais como a síntese da "alma da cultura brasileira". Bom, Bardi mandou recado à Piolin, que naquela altura estava sem circo e sem empresário - trabalhava fazendo algumas apresentações com o clown Tony. Ao encontrar com o empresário de circo Francisco Honório Rodrigues, filho do famoso Chiquinho, que havia empresariado meio mundo e mais um pouco do circo e da música popular, pediu auxílio. Este convidou o palhaço Xuxu (Franco Alves Monteiro) para fazer a temporada com Piolin. Alugaram uma lona e montaram um pequeno circo de 500 lugares sob o MASP. A homenagem foi estrondosa. Contou com a presença de artistas, intelectuais, do governador Laudo Natel e do prefeito Figueiredo Ferraz, então rivais políticos. Findas as homenagens, Bardi perguntou a Francisco se não havia interesse em fazer uma temporada lá, uma vez que o circo já estava montado. Claro que havia! Um circo na Paulista? Era o sonho de qualquer circo! Ficaram lá por três meses encenando três espetáculos diários (às 15h, 17h e 21h), sendo que nos finais de semana eram quatro (mais uma matinê, às 10h). Piolin, que havia perdido em 1961 o terreno onde seu circo passou 30 anos funcionando, viu na ocasião uma oportunidade para recomeçar aos 75 anos de idade... Remontou o Circo Piolin, saiu em turnê pelo interior e acabou montando um mega espetáculo chamado O maravilhoso mundo de Piolin, no Parque do Anhembi (conseguido por Chiquinho), que incluía circo, pavilhão (para a exibição de filmes) e um parque de diversões. Infelizmente sua saúde já era deficiente. Cardíaco, não aguentou o ritmo de espetáculos, que foram interrompidos em 4 de setembro de 1973, com a morte do palhaço. Mais que homenagem aos modernistas, a ideia de Bardi acabou sendo um pretexto para que o palhaço tivesse um final de vida em pleno picadeiro.

4 comentários:

ANDREA RODRIGUES CORREA disse...

Que emoção!!! Ver essa história, que eu já escutei tantas vezes desde a minha infância, ser relatada em um blog atualmente. Sou filha do Francisco e neta do "famoso" Chiquinho. Abçs. Andrea.

ANDREA RODRIGUES CORREA disse...

Que emoção!!! Ver essa história, que eu já escutei tantas vezes desde a minha infância, ser relatada em um blog atualmente. Sou filha do Francisco e neta do "famoso" Chiquinho. Abçs. Andrea.

Carla Rodrigues disse...

Ola Cara!

Pena que meu avo, "Chiquinho", nao esta mais vivo para ser presenteado com sua reportagem...

Se precisar algum material, ou inumeras historias interessantes como essa, tenho certeza que meu pai, Francisco Honorio Rodrigues, tera muito prazer em lhe contar.

abraco,

Carla Rodrigues
Cel:11 99379 8519

Carla Rodrigues disse...

Ola Cara!

Pena que meu avo, "Chiquinho", nao esta mais vivo para ser presenteado com sua reportagem...

Se precisar algum material, ou inumeras historias interessantes como essa, tenho certeza que meu pai, Francisco Honorio Rodrigues, tera muito prazer em lhe contar.

abraco,

Carla Rodrigues
Cel:11 99379 8519